Dasa reduz alavancagem, mas 4T25 ainda reflete efeitos da reestruturação

<p>Grupo de saúde melhora diagnósticos e geração de caixa, mas resultados seguem afetados por vendas de ativos e ajustes contábeis.</p>

By Brazil Stock Guide – A Dasa (DASA3) encerrou 2025 com uma direção estratégica mais clara, reposicionando seus negócios em diagnósticos enquanto avançava na desalavancagem do balanço. A companhia reduziu a alavancagem de covenant para 2,5x, ante 3,6x um ano antes, e gerou R$460 milhões de caixa operacional no quarto trimestre. O EBITDA recorrente atingiu R$397 milhões, alta de 21% na comparação anual, indicando melhora consistente no desempenho operacional. Para os credores, a Dasa informo que cumpriu sua meta de alavancagem para 2025, encerrando o ano no teto do intervalo projetado.

O descompasso entre operação e resultado contábil, porém, segue como principal ruído. A Dasa reportou EBITDA consolidado negativo de R$111 milhões no 4T25, ante resultado positivo de R$403 milhões um ano antes, enquanto o prejuízo líquido se ampliou para R$948 milhões. O trimestre foi impactado por efeitos não recorrentes, incluindo a venda do Hospital São Domingos e ajustes contábeis ligados à Rede Américas, joint venture hospitalar com a Amil. Esses fatores continuam afetando a operação.

“Ao longo de 2025, reposicionamos a companhia, com foco no nosso core e em uma agenda consistente de eficiência e geração de caixa. Encerramos o ano com uma empresa mais disciplinada e com maior capacidade de execução”, afirmou o CEO da Dasa, Rafael Lucchesi, em nota.

Foco em diagnósticos

A área de diagnósticos se consolida como o núcleo da tese de investimento. A receita do segmento cresceu 13% no trimestre, para R$2,0 bilhões, impulsionada por maior volume, melhora de mix e expansão em serviços premium, atendimento domiciliar e B2B. No ano, a receita atingiu R$8,1 bilhões, avanço de 10%.

Há também sinais de maior disciplina operacional. A Dasa encerrou o ano com 840 unidades, após o fechamento de estruturas menos eficientes, mantendo elevado nível de satisfação do cliente, com NPS de 76,3. A digitalização começa a ganhar peso: o agendamento online chegou a 41% do total, enquanto o uso de ferramentas de inteligência artificial contribui para ganhos de eficiência e melhor utilização dos equipamentos.

A estratégia passa pelo enxugamento da estrutura e conversão de escala em rentabilidade — um movimento que aproxima a Dasa de pares globais do setor.

Exposição hospitalar

Os hospitais seguem relevantes, mas com papel mais seletivo. As operações hospitalares e oncológicas no Nordeste apresentaram forte evolução, com receita próxima de R$490 milhões e expansão significativa de margem, refletindo maior ocupação e avanço em procedimentos de maior complexidade.

A principal exposição hospitalar, no entanto, está na Rede Américas. A joint venture reportou EBITDA de R$169 milhões no trimestre, impactado por um ajuste contábil sem efeito caixa de R$199 milhões relacionado à padronização pós-integração. Excluindo esse efeito, o EBITDA seria de R$368 milhões, com margem de 12,2%, reforçando que a operação subjacente é mais forte do que sugerem os números reportados.

Ainda assim, a complexidade contábil e a falta de comparabilidade seguem como fatores de cautela para o investidor.

Alívio no balanço

A Dasa concluiu cerca de R$1,9 bilhão em desinvestimentos ao longo de 2025, reduzindo o endividamento e ampliando a flexibilidade financeira. A dívida líquida caiu 46% na comparação anual, para R$5,4 bilhões — um movimento relevante para uma companhia que vinha sendo pressionada por alavancagem elevada.

A tese começa a se simplificar. A Dasa deixa de ser um grupo de saúde amplo e intensivo em capital para se posicionar como uma plataforma de diagnósticos mais focada, com balanço mais leve e exposição hospitalar mais disciplinada.


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