By Brazil Stock Guide – Os reajustes dos planos coletivos de saúde no Brasil entraram em uma fase de estabilização em 2026. Eles se consolidam próximos de 10%, segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) compilados pelo BTG Pactual. Após forte recomposição no pós-pandemia, o setor agora apresenta menor volatilidade. Os aumentos seguem elevados, mas sem nova aceleração.
Ciclo mais previsível
Os dados mais recentes indicam que os reajustes oscilam dentro de uma faixa estreita. Foram 10,8% em dezembro, 9,5% em janeiro e 12,9% em fevereiro. A média ficou em 10,8% no acumulado do ano. O comportamento reforça a leitura de que o ciclo de pricing atingiu um novo patamar de equilíbrio. Em suma, ele sustenta receitas, mas sem gerar novos impulsos relevantes de crescimento.
A trajetória recente ajuda a explicar o movimento. Após o pico de 14,14% em 2023, os reajustes permaneceram elevados em 2024. Em 2025, começaram a desacelerar. Agora se aproximam de 10% em 2026. O movimento indica uma normalização gradual. Os preços seguem pressionados, mas em trajetória de estabilização.
Base concentrada em coletivos
A dinâmica de preços reflete também a estrutura do mercado. Segundo a ANS, o Brasil conta com cerca de 53 milhões de beneficiários na área de saúde suplementar, dos quais mais de 44 milhões estão em planos coletivos — sendo a maior parte em contratos empresariais. Os planos individuais seguem minoritários, o que amplia a relevância do segmento coletivo como principal vetor de receita e reajuste do setor.
Segundo os dados compilados, a Hapvida (HAPV3) – maior operadora privada de planos de saúde – foi o principal destaque de alta no período, ao aplicar reajustes médios de 18% nos contratos coletivos, bem acima da média da indústria de planos. Em fevereiro, a operadora chegou a registrar aumentos de 23%, com casos pontuais de contratos reajustados em cerca de 50%, de acordo com o BTG. O movimento indica uma estratégia mais agressiva de recomposição de margem, dada a dificuldade da operadora.
Entre os demais players, observa-se maior convergência. Porto (PSSA3) registrou reajustes de 14,6%, enquanto Amil (13,2%) e SulAmérica (12,7%) também ficaram acima da média, mas sem movimentos abruptos. Já Bradesco Saúde (BBDC4) permaneceu praticamente alinhada ao setor, com 11%, e a Unimed Nacional ficou abaixo, com 7,5%, sugerindo menor poder de repasse ou estratégia mais voltada à retenção de clientes.
Individuais ficam para trás
Enquanto os planos coletivos seguem livres para negociação, os planos individuais — cujos reajustes são definidos pela ANS — devem registrar aumentos menores, na faixa de 5% a 7% no próximo ciclo. A diferença reforça a dualidade do mercado brasileiro, em que o segmento regulado tende a responder mais lentamente à pressão de custos.
Com o nível de preços mais ancorado, o diferencial competitivo se desloca. A capacidade de repassar custos já não é suficiente para sustentar a tese de investimento — o foco passa a ser a execução operacional, com controle de sinistralidade, disciplina comercial e eficiência na integração de ativos, especialmente em modelos verticalizados.
| Ano | Reajuste médio (%) |
|---|---|
| 2021 | 6,43% |
| 2022 | 11,48% |
| 2023 | 14,14% |
| 2024 | 13,19% |
| 2025 | 11,15% |
| 2026* | ~10% |
*Estimativa com base em dados da ANS compilados pelo BTG Pactual
