À Beira do Default, Oncoclínicas Viola regra de Covenant

<p>Prejuízo de R$ 1,5 bilhão em 2025 e falha em assembleias pressionam negociação com credores e avanço de reestruturação com Porto e Fleury.</p>

Recepção da rede de clínicas oncológicas Oncoclínicas no Brasil

By Brazil Stock Guide – A Oncoclínicas (ONCO3), uma das maiores plataformas de tratamento oncológico da América Latina, violou as regras de covenant após sua alavancagem atingir 4,3 vezes EBITDA na métrica contratual, colocando a companhia próxima de um default técnico enquanto negocia com credores e discute uma reestruturação com Porto Seguro e Fleury.

A empresa havia convocado assembleias de debenturistas no fim de março para deliberar sobre a concessão de waiver, mas as reuniões não foram instaladas por falta de quórum, impedindo a formalização de medidas necessárias para evitar o vencimento antecipado das dívidas.

Ao final do quarto trimestre de 2025, a dívida líquida financeira somada a aquisições a pagar atingiu R$ 2,94 bilhões. A alavancagem reportada pela companhia foi de 3,5 vezes o EBITDA ajustado, mas, na métrica contratual utilizada nos covenants, o índice chegou a 4,3 vezes, ultrapassando o limite acordado com credores em função de critérios mais conservadores na apuração do EBITDA.

Além da alavancagem, a companhia também descumpriu o índice de cobertura de juros, que mede a capacidade de pagamento dos encargos financeiros com a geração operacional. O indicador ficou em 1,35, abaixo do mínimo exigido de 1,75, ampliando o conjunto de violações contratuais e reforçando o risco de aceleração da dívida pelos credores.

Como consequência, obrigações que estavam classificadas no longo prazo foram reclassificadas para o curto prazo, totalizando cerca de R$ 2,9 bilhões, o que intensifica a pressão sobre a liquidez no curto prazo.

Os resultados operacionais ajudam a explicar a deterioração. Em 2025, a companhia registrou queda de 7% na receita e retração de 32% no EBITDA, com prejuízo líquido de cerca de R$ 1,5 bilhão. O desempenho foi impactado por impairments relevantes, perdas de aproximadamente R$ 430 milhões relacionadas ao Banco Master e inadimplência no setor de saúde, com cerca de R$ 865 milhões vinculados à Unimed FERJ.

Os sinais de estresse também aparecem na governança e na auditoria. A Deloitte, responsável pela auditoria das demonstrações financeiras, incluiu um parágrafo destacando incertezas relevantes quanto à continuidade operacional da companhia, enquanto o Conselho Fiscal alertou acionistas para o risco de deterioração financeira mais acentuada.

No curto prazo, a companhia busca reequilibrar sua posição de liquidez. A Oncoclínicas informou ter obtido um acordo com parte dos credores para suspender cobranças até 31 de maio de 2026, o que, na prática, cria um período de standstill parcial enquanto as negociações continuam. Ainda assim, a empresa permanece dependente da formalização de waivers e da coordenação mais ampla entre credores.

Segundo fontes próximas às tratativas, a companhia também avalia a possibilidade de recorrer a uma medida cautelar para evitar o vencimento antecipado das dívidas caso as negociações não evoluam dentro desse prazo.

Paralelamente, a Oncoclínicas negocia uma reestruturação com Porto e Fleury que envolve a criação de uma nova entidade para concentrar ativos operacionais e até R$ 2,5 bilhões em passivos. A proposta inclui um aporte de aproximadamente R$ 1 bilhão, dividido entre capital e instrumentos conversíveis, e pode resultar em mudanças relevantes na estrutura societária. O prazo de exclusividade das negociações está previsto para 13 de abril, sujeito a eventuais extensões.

O avanço da reestruturação depende da coordenação com credores e da obtenção de acordos mais abrangentes. Sem isso, a companhia pode enfrentar restrições adicionais de liquidez e maior pressão sobre sua estrutura de capital, em um cenário em que os próximos desdobramentos devem ser definidos nas próximas semanas.


Clear insights on Brazilian equities

Join portfolio managers and investors who get our curated analysis on Latin America’s largest economy.

Advertisement