Oncoclínicas Perde R$439 milhões e Caixa Vira Emergência

<p>Prejuízo mais que triplica no 1T26, Ebitda fica negativo e CEO diz que a recuperação “não acontecerá da noite para o dia”</p>

Oncoclinicas, ONCO3,

By Brazil Stock Guide – A Oncoclínicas (ONCO3) entregou um primeiro trimestre que confirmou a gravidade de sua crise financeira. A rede de tratamentos oncológicos teve prejuízo líquido de R$438,7 milhões no 1T26, mais que o triplo da perda de R$131,9 milhões registrada um ano antes.

As ações caíam cerca de 5% na manhã desta sexta-feira, depois que o balanço mostrou queda de receita, Ebitda negativo, consumo elevado de caixa e dívida concentrada no curto prazo.

Liquidez no centro

O principal problema é o caixa. Segundo o Safra, a posição de caixa caiu de R$518 milhões no fim de 2025 para R$124 milhões em março de 2026. A companhia consumiu R$394 milhões no trimestre.

A dívida líquida somada às obrigações de aquisições chegou a R$3,27 bilhões, equivalente a 5,2 vezes o Ebitda ajustado. O BTG Pactual também destacou a alavancagem elevada e disse que as restrições de liquidez já estão afetando diretamente a operação.

Receita menor

A receita líquida caiu 22,3%, para R$1,16 bilhão. A companhia foi afetada pela escassez de medicamentos em março, que reduziu a receita bruta em cerca de R$40 milhões, e pelo encerramento de relações com fontes pagadoras de maior consumo de capital de giro.

O número de procedimentos caiu 23%, para 133 mil. O ticket médio em oncologia subiu 14,3%, para R$10.585, mas a melhora de preço não foi suficiente para compensar a queda de volume.

Ebitda negativo

O Ebitda ajustado ficou negativo em R$49,2 milhões, com margem negativa de 4,2%. O resultado veio abaixo das projeções de bancos como Safra e JP Morgan.

O trimestre também foi pressionado por R$119 milhões em ajustes de provisão para créditos de liquidação duvidosa e R$148 milhões ligados ao risco de crédito da Unimed Leste Fluminense. Mesmo excluindo os efeitos extraordinários, a companhia estima que o Ebitda ajustado teria sido de cerca de R$110 milhões, com margem de 9,2% — ainda abaixo do nível observado um ano antes.

Credores e fornecedores

A Oncoclínicas já negocia com credores para reprogramar dívidas. Em abril, obteve waiver dos debenturistas e uma liminar que suspendeu por 60 dias os efeitos de vencimento antecipado de obrigações financeiras.

A companhia também fechou acordo com MAK e Lumina Capital para receber entre R$100 milhões e R$150 milhões, recursos destinados à compra de medicamentos junto à OncoProd e à preservação da cadeia de fornecimento.

O CEO Carlos Gil reconheceu que a recuperação será lenta. “Esse processo não acontecerá da noite para o dia”, disse na teleconferência. Segundo ele, a prioridade é preservar a continuidade assistencial, estabilizar a operação e melhorar a alocação de capital.

Virada difícil

A leitura dos bancos é cautelosa. O JP Morgan mantém recomendação Underweight, o Safra tem Underperform e o BTG segue neutro, mas vê alta alavancagem, geração de caixa pressionada e baixa visibilidade para a reestruturação.


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