Família Moll tem munição para aliviar pressão da GIC na Rede D’Or, diz BTG

<p>Banco estima que controladores ainda teriam R$ 4,6 bilhões líquidos não reinvestidos; com alavancagem, valor poderia se aproximar da fatia da GIC.</p>

Unidade hospitalar da Rede D’Or em contexto urbano, representando o setor privado de saúde no Brasil e a pressão sobre ações RDOR3.

By Brazil Stock Guide – A família Moll, controladora da Rede D’Or (RDOR3), ainda teria fôlego financeiro para ajudar a aliviar a pressão vendedora criada pela redução da participação da GIC, fundo soberano de Singapura, na companhia, segundo estimativas do BTG Pactual.

A leitura ganha relevância em meio à queda das ações da Rede D’Or neste ano. O papel fechou ontem a R$ 33,85, avaliando a companhia em R$ 74,6 bilhões. No acumulado do ano, RDOR3 cai 16,3%. Em fevereiro, antes de a GIC indicar que venderia parte de sua posição, a ação chegou a negociar perto de R$ 45.

Em relatório, o BTG calcula que os Moll receberam cerca de R$ 8,1 bilhões líquidos desde o IPO da Rede D’Or, considerando vendas secundárias, dividendos e juros sobre capital próprio. Desse total, aproximadamente R$ 3,5 bilhões teriam sido reinvestidos em ações da própria Rede D’Or e em compras de SulAmérica antes da fusão.

A conta implica uma taxa de reinvestimento de 43%, vista pelo BTG como uma das demonstrações mais fortes de alinhamento entre controladores e minoritários no mercado brasileiro.

O ponto central é o capital que ainda poderia estar disponível. O banco estima que a família teria cerca de R$ 4,6 bilhões líquidos não reinvestidos. Com uma alavancagem de aproximadamente 50%, esse montante poderia se aproximar dos R$ 10 bilhões necessários para comprar uma fatia comparável à posição atual da GIC na Rede D’Or, de 12,75%.

Saída do fundo soberano

A análise não deve ser lida como uma previsão de compra. O próprio BTG ressalta que qualquer movimento dependeria da estratégia mais ampla de alocação de capital da família. Ainda assim, o cálculo sugere que a pressão associada à saída parcial da GIC pode não ser permanente.

O fundo soberano de Singapura investiu originalmente na Rede D’Or em 2015 e continua sendo acionista relevante, com assento no conselho. Mais recentemente, reduziu sua fatia de cerca de 17% para 12,75%, movimento que passou a pesar sobre a ação.

Do outro lado, os controladores vêm comprando. Segundo o BTG, a família Moll adquiriu cerca de R$ 2,5 bilhões em ações RDOR3 entre 2022 e 2026. Só neste ano, as compras somam aproximadamente R$ 1,28 bilhão, equivalentes a 34,6 milhões de ações, ou 1,5% do capital total da companhia.

A própria Rede D’Or também tem atuado como compradora. O banco estima que a tesouraria recomprou cerca de R$ 1,9 bilhão em ações RDOR3 em seus programas de recompra. Incluindo ações da SulAmérica adquiridas antes da fusão, o total chegaria a aproximadamente R$ 3,1 bilhões.

Para o BTG, esse conjunto de movimentos reforça a tese de “skin in the game” da família Moll e ajuda a contrapor a pressão técnica provocada pela redução da participação da GIC.

Mentalidade de dono

A familia Moll tem um histórico da mentalidade de dono na Rede D’Or. Os controladores seguem atuando com uma lógica de propriedade permanente, mais preocupada em preservar e ampliar o negócio no longo prazo do que em simplesmente monetizar a participação. É essa leitura que dá peso às compras recentes de ações pela família, em um momento em que a redução da fatia da GIC pressiona o papel.

O banco reiterou recomendação de compra para Rede D’Or, com preço-alvo de R$ 54 em 12 meses. O valor implica potencial de valorização de cerca de 60% em relação ao fechamento de ontem.

Além do alinhamento dos controladores, o BTG cita fundamentos operacionais resilientes, desempenho sólido nos segmentos hospitalar e de seguros, crescimento orgânico saudável, margens resistentes e boas perspectivas de geração de caixa livre.

A tese do banco é que a venda da GIC pode continuar gerando ruído no curto prazo, mas não altera a leitura estrutural positiva para a companhia. Para o BTG, a Rede D’Or segue como seu nome favorito no setor de saúde no Brasil.


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