A joia escondida da Vale

<p>O cobre pode dobrar até 2035 — mas a Vale ainda é precificada como minério de ferro.</p>

Dentro da Vale pode estar surgindo uma segunda empresa — com outro perfil de crescimento, outro conjunto de comparáveis e, potencialmente, outro valuation.

A Vale conhecida é madura. O minério de ferro segue como principal gerador de caixa, sustentando dividendos e ancorando a ação em múltiplos de cerca de 4–5x EBITDA — em linha com mineradoras focadas em bulk commodities.

No Investor Day recente da divisão de metais básicos, no Canadá, a mensagem foi diferente. Executivos enfatizaram crescimento orgânico, eficiência operacional e expansão do cobre — sem recorrer a atalhos. A produção, hoje em torno de ~380 mil toneladas, pode atingir entre 420 mil e 500 mil toneladas até 2030, e chegar a cerca de 700 mil toneladas até 2035, posicionando a companhia entre os grandes produtores globais. Ao longo desse processo, a divisão pode evoluir de cerca de 20% do EBITDA para algo próximo de um terço.

Esse reposicionamento muda o grupo de comparáveis — e o múltiplo implícito. Hoje, a Vale negocia próxima a 5x EBITDA. Já mineradoras diversificadas com cobre relevante, como BHP e Rio Tinto, operam entre 6x e 7x. No topo da cadeia, produtores com maior exposição ao metal — como Codelco, Antofagasta e Freeport-McMoRan — negociam entre 7x e 10x EBITDA, refletindo crescimento estrutural e escassez de oferta.

A diferença não é apenas de commodity, mas de ciclo. O minério de ferro responde ao aço – um produto superofertado. O cobre responde à eletrificação, redes de energia e data centers — vetores mais longos e previsíveis de demanda.

O Investor Day deixou claro que não há catalisador imediato. Sem IPO ou outro evento de mercado, o re-rating depende de execução — volumes, custos e disciplina de capital. Até lá, as duas Vales coexistem.


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