A Minerva (BEEF3) diz que não há decisão, deliberação ou tramitação interna sobre um eventual fechamento de capital. É a resposta correta a um questionamento da CVM diante das notícias sobre uma possível OPA. Também é uma resposta incompleta para o mercado. A especulação importa menos pelo rumor em si do que pela pergunta que expõe: talvez a Minerva seja hoje uma empresa operacionalmente grande demais para ser avaliada apenas pelo lucro trimestral — e financeiramente complexa demais para convencer investidores públicos apenas com EBITDA recorde.
O cenário setorial joga a favor. O mundo quer mais carne bovina sul-americana. China e Estados Unidos seguem sustentando a demanda, as exportações brasileiras crescem em volume e preço, e a América do Sul virou uma peça importante da segurança alimentar global. A Minerva está no lugar certo desse mapa: tem escala, diversificação geográfica, acesso a mercados e capacidade de arbitrar origens e destinos. No 1T26, reportou receita líquida de R$13,4 bilhões e EBITDA de R$1,1 bilhão. Nos últimos 12 meses, o EBITDA chegou a R$5 bilhões, recorde histórico.
Mas o acionista não recebe EBITDA. Recebe o que sobra depois do capital de giro, dos juros, dos hedges e da dívida. E aí a história fica menos vistosa: o acionista tem recebido mais gordura do que filé. O lucro líquido do trimestre foi de R$87,3 milhões. A alavancagem ficou em 2,7 vezes. O fluxo de caixa livre foi negativo no trimestre, pressionado por capital de giro. Numa empresa de margens baixas e alto giro, o custo de carregar liquidez e financiar a operação pode comer boa parte da tese antes que ela chegue ao acionista.
É por isso que uma OPA faria sentido — e, ao mesmo tempo, parece difícil. A ação pode estar barata, com queda de cerca de 35% desde o início do ano. A companhia pode estar melhor posicionada do que o preço sugere. Mas comprar a paciência dos investidores custa caro quando a taxa de juros transforma dívida em moedor de valor. A Minerva vende carne para o mundo. A Bolsa quer outra coisa: prova de que, entre o boi e o acionista, ainda sobra um bom corte.
