By Brazil Stock Guide – A Acelen Renováveis, empresa de energia do Mubadala Capital, e a Bunge assinaram um contrato de cinco anos para o fornecimento de 1,5 milhão de toneladas de óleo de soja certificado, que será utilizado na produção de combustível sustentável de aviação, conhecido pela sigla SAF, e diesel renovável, ou HVO.
O acordo prevê a entrega de 300 mil toneladas por ano a partir de 2029, quando a futura biorrefinaria da Acelen Renováveis deverá iniciar suas operações na Bahia. Segundo as empresas, trata-se do maior contrato de fornecimento de óleo de soja já firmado pela Bunge na América do Sul.
A unidade é apresentada pelas companhias como o primeiro projeto de produção de SAF e HVO em larga escala no continente. Com investimento superior a US$ 3 bilhões, a planta integrada terá capacidade para produzir até 1 bilhão de litros dos dois combustíveis renováveis por ano.
O óleo de soja poderá ser originado no Brasil e na Argentina e deverá atender a requisitos internacionais de rastreabilidade e sustentabilidade associados à Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, a EPA, e ao Conselho de Recursos do Ar da Califórnia, conhecido como CARB.
Para a Acelen Renováveis, o contrato assegura uma parcela das matérias-primas certificadas necessárias para a operação da biorrefinaria e ajuda a estruturar uma cadeia de suprimentos capaz de sustentar a produção de combustíveis renováveis em larga escala.
Cristiano da Costa, vice-presidente Comercial e de Trading da Acelen Renováveis, afirmou que o acesso a insumos certificados será fundamental para garantir a competitividade, a rastreabilidade e a confiabilidade operacional do empreendimento, além de ampliar a oferta de combustíveis de baixo carbono para os mercados brasileiro e internacional.
A estratégia de abastecimento da biorrefinaria prevê um portfólio diversificado de matérias-primas. Além do óleo de soja fornecido pela Bunge, a Acelen Renováveis já assinou contratos para a compra de óleo de cozinha usado e está desenvolvendo uma cadeia de produção de macaúba, que deverá ser a principal matéria-prima de seu projeto de longo prazo.
A Bunge ficará responsável por conectar a demanda da futura biorrefinaria à sua estrutura de originação agrícola. A companhia informou que alcançou, em 2024, a rastreabilidade e o monitoramento de todas as compras diretas e indiretas de soja realizadas em regiões consideradas prioritárias no Brasil.
Segundo Tito Martinho, diretor Comercial da Bunge, a parceria poderá ajudar a aproximar produtores rurais, financiadores e compradores de produtos de baixo carbono, criando condições para que práticas de agricultura regenerativa sejam adotadas em maior escala.
As duas empresas também pretendem avaliar oportunidades envolvendo outras culturas agrícolas e matérias-primas renováveis. A localização da biorrefinaria foi planejada para permitir o processamento de diferentes tipos de insumos, aumentando a flexibilidade operacional e a eficiência logística do projeto.
