By Brazil Stock Guide – A Aegea Saneamento e Participações voltou a adiar a divulgação de suas demonstrações financeiras de 2025, citando problemas de reconciliação interna e processamento contábil. Segundo a companhia, o atraso reflete a complexidade da revisão, que envolve a reapresentação de períodos anteriores e a revisão de um grande volume de dados.
Em fato relevante divulgado nesta sexta-feira, 10, a Aegea também cancelou a teleconferência de resultados até a conclusão e publicação dos números. A empresa afirmou que a revisão é “meramente contábil” e não afeta liquidez, geração de caixa ou o cumprimento de covenants — numa tentativa de separar o tema operacional de qualquer leitura de deterioração financeira, ponto sensível para investidores e credores.
A companhia também buscou afastar o atraso de qualquer fraude ou de desdobramentos ligados ao acordo divulgado em 12 de fevereiro de 2026. Na ocasião, a Aegea esclareceu um acerto relacionado a investigações sobre eventos anteriores a 2018, envolvendo a ex-subsidiária Montese, no valor aproximado de R$ 439 milhões.
Esse ponto é relevante porque, em casos de reapresentação de resultados, o mercado costuma reagir menos ao ajuste técnico e mais ao risco de falhas nos controles internos ou à possibilidade de novas surpresas contábeis.
A empresa, que inicialmente previa divulgar os números até 30 de março, havia reagendado a publicação para 8 de abril após uma primeira tentativa de dar mais visibilidade ao mercado. A Aegea informou ainda que seu conselho de administração e o comitê de auditoria acompanham de perto o processo e que está revisando procedimentos internos para evitar novos atrasos.
Os spreads dos títulos da companhia começaram a subir no mercado secundário, indicando aumento do prêmio de risco com a persistência dos atrasos. Dados da Anbima por volta das 13h desta sexta-feira mostram a 7ª emissão negociando a CDI +4,3%, acima do padrão histórico para dívida A+(bra), enquanto a 9ª emissão, de prazo mais longo, já é negociada com desconto. O movimento sugere que o mercado está precificando risco de execução — e não de solvência — diante da incerteza sobre a divulgação dos resultados e a coordenação com credores.
No dia 2 de abril, a Fitch rebaixou a companhia para ‘BB-’ em 2 de abril e a colocou em observação negativa, citando enfraquecimento de transparência e governança. A agência destacou que a divulgação dentro dos períodos de cura é essencial para evitar novos pedidos de waiver. As dívidas têm cláusulas de vencimento antecipado que dependem de votação dos debenturistas em prazos curtos. Sem coordenação ou quórum, a dívida pode ser acelerada e se tornar exigível — mesmo sem deterioração operacional relevante.
Sem data definida, o mercado segue sem números auditados nem teleconferência. A Aegea, que planeja um IPO, também aparece entre as candidatas ao leilão da Copasa, a companhia de saneamento de Minas Gerais.
