BTG lucra R$4,8 bilhões no 1º tri com ROAE de 26,6%

<p>Receitas recordes em crédito corporativo e wealth management sustentam crescimento do banco em meio a juros altos e volatilidade global.</p>

Resultados do BTG Pactual no 1T26 mostram lucro de R$4,8 bilhões e ROAE de 26,6%

By Brazil Stock Guide – O Banco BTG Pactual (BPAC11) reportou lucro líquido ajustado de R$4,808 bilhões no primeiro trimestre de 2026, com retorno sobre patrimônio médio (ROAE) de 26,6% e receitas totais de R$9,968 bilhões.

O lucro líquido contábil somou R$4,570 bilhões, alta de 42,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado reforça a capacidade do banco de combinar expansão de receitas, captação relevante e rentabilidade elevada mesmo em um ambiente macroeconômico e geopolítico mais desafiador.

Os números mostram um banco que continua crescendo em praticamente todas as linhas relevantes do balanço. Corporate Lending entregou receitas recordes de R$2,332 bilhões, com alta de 20,7% em 12 meses e crescimento de 22% da carteira de crédito. Wealth Management também atingiu recorde histórico, com receitas de R$1,516 bilhão, impulsionadas por maior atividade de clientes e expansão dos ativos sob gestão.

Mas talvez o dado mais importante do trimestre esteja fora da demonstração de resultado: a capacidade contínua de captação do BTG. O banco adicionou R$83 bilhões líquidos no período e atingiu R$2,6 trilhões em ativos sob gestão e administração combinados entre Asset e Wealth Management. Em um mercado ainda pressionado por juros altos e competição por funding, o dado reforça a força da marca BTG entre clientes institucionais, private e corporativos.

O trimestre também deixa mais clara a transformação estrutural do grupo após a incorporação do Banco Pan. A vertical Consumer Finance & Banking registrou receitas de R$1,125 bilhão, já considerando a consolidação integral da instituição após a aquisição da participação minoritária remanescente em janeiro. Parte relevante da expansão das despesas operacionais — que cresceram 25,5% em relação ao 1T25, para R$4,231 bilhões — está ligada justamente à integração do Pan, além de reajustes salariais e expansão da plataforma.

A melhora operacional ajuda a explicar por que a alta das despesas não muda a leitura central do trimestre. A receita total avançou 34% em 12 meses, enquanto o índice de eficiência ajustado caiu para 38,1%, ante 41,3% no 1T25 — sinal de que o BTG ainda consegue transformar escala em margem. O contraponto aparece no Consumer Finance: a carteira cresce, mas já exige maiores provisões em veículos, após a revisão anual de provisionamento sob a Resolução 4.966.

Ainda assim, a leitura central do trimestre segue positiva: o ganho de escala continua compensando a pressão de custos. O BTG terminou março com patrimônio líquido de R$74,5 bilhões, índice de Basileia de 15,9% e LCR de 160,9%, preservando ampla folga de capital enquanto segue expandindo crédito, wealth e operações internacionais.

No investment banking, o ambiente ainda não é exuberante. O banco registrou R$627,9 milhões em receitas na divisão, em um trimestre de maior volatilidade e mercado de capitais ainda irregular. Mesmo assim, o desempenho sugere que o BTG continua bem posicionado para capturar operações estratégicas enquanto aguarda uma reabertura mais ampla do mercado de ações e emissões corporativas no Brasil.

Outro ponto relevante foi a continuidade da expansão internacional. O banco segue avançando em aquisições e integração de ativos fora do Brasil, incluindo Julius Baer Brasil, JGP Gestão Patrimonial e a operação do HSBC Uruguai, além da conversão do antigo M.Y. Safra Bank em banco nacional nos Estados Unidos sob a marca BTG Pactual Bank, N.A.

O ROAE do BTG 26,6% é o número que melhor resume o trimestre. Ele mostra que o BTG não apenas cresceu em receitas e ativos, mas conseguiu transformar essa expansão em retorno elevado para os acionistas. O desafio é que esse patamar também aumenta a régua: quanto maior o banco fica, mais difícil tende a ser preservar um retorno acima de 25% sem assumir mais risco, consumir mais capital ou depender de ciclos favoráveis de mercado.


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