Copasa chega à linha de corte da privatização

<p>Preço mínimo de R$ 47,23 revelado pelo governo de Minas Gerais define o ponto em que a privatização avança — ou volta ao impasse.</p>

By Brazil Stock Guide – O governo de Minas Gerais definiu o preço de corte para a  privatização da Copasa (CSMG3): R$ 47,23 por ação. Esse é o preço mínimo revelado para a venda da participação do Estado mineiro na companhia de saneamento – e também o ponto a partir do qual a operação avança ou volta ao impasse.

Até agora, o mercado sabia que havia um piso para a venda. Não sabia qual era. Ao tornar o número público, Minas tirou a privatização da zona cinzenta e colocou o problema no centro da mesa: investidores precisam aceitar pagar pelo menos esse valor, ou a oferta terá de ser cancelada, adiada ou redesenhada.

A operação é uma oferta secundária. O dinheiro não entra no caixa da Copasa, mas vai para o Estado de Minas Gerais, acionista vendedor. A venda envolve inicialmente 171,1 milhões de ações ordinárias, com possibilidade de acréscimo de até 19 milhões de ações adicionais.

O piso de R$ 47,23 é, na prática, o preço de ruptura da privatização. Ele tenta aproximar o governo dos investidores depois que a primeira rodada mostrou que havia um limite para o apetite do mercado. As propostas de investidores estratégicos ficaram abaixo do mínimo inicialmente esperado pelo governo, segundo relatos de mercado obtidos pelo Brazil Stock Guide.

O ponto relevante é que o problema não parece ser falta de interesse pela Copasa, mas sim o preço abaixo da linha de corte. As propostas foram enviadas por um consórcio de acionistas da Aegea – Equipav, Itaú e CIG, o fundo soberano de Cingapura, e a Equatorial, utility de energia e acionista da Sabesp, a empresa de saneamento de São Paulo, privatizada em 2024.

A Copasa é um ativo relevante de saneamento, com presença dominante em Minas Gerais, mas também carrega contratos municipais, metas de universalização, necessidade de investimento e uma estrutura de governança pós-privatização que exige compromisso de longo prazo.

Esse é o dilema clássico de uma privatização. Se o governo coloca o piso alto demais, protege-se da acusação de vender barato, mas corre o risco de inviabilizar a transação. Se aceita um preço menor, aumenta a chance de execução, mas abre espaço para crítica política. No caso da Copasa, essa tensão ficou mais exposta porque a ação já havia subido com a expectativa de desestatização. Por volta das 17horas desta quinta-feira, o papel subia 4,2%, a R$ 52,88.

O mercado decide

A revelação do piso não resolve a oferta, mas facilita o acesso. Antes, investidores avaliavam a companhia sem saber exatamente onde estava a barreira oficial. Agora, sabem. Isso pode organizar a demanda, mas também reduz a margem de ambiguidade.

Se o mercado concluir que R$ 47,23 é um preço aceitável para a Copasa, a privatização ganha fôlego. Se concluir que o valor ainda é alto diante dos riscos de regulação, governança, liquidez e execução, a operação volta ao impasse. A oferta também precisa cumprir outro teste: demanda suficiente. Pelas regras do processo, não basta atingir o preço mínimo. É necessário vender uma quantidade mínima de ações para que a operação siga adiante.

O novo cronograma é apertado. Investidores interessados têm uma janela adicional para rever ou apresentar pedidos. O período de reserva começa em 5 de junho, a precificação está prevista para 11 de junho e a liquidação para 16 de junho.


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