By Brazil Stock Guide — A Cosan confirmou que contratou o BTG Pactual para assessorá-la na avaliação de alternativas envolvendo sua participação na Rumo, colocando o ativo ferroviário no centro da estratégia de desalavancagem da holding. A Cosan é controlada pelo empresário Rubens Ometto e sócios do BTG Pactual e Perfin.
Em comunicado ao mercado, a companhia disse que está avaliando “potenciais alternativas” relacionadas à sua fatia na Rumo, em linha com sua estratégia de otimização da estrutura de capital. A Cosan afirmou, porém, que o processo está em fase de tratativas iniciais e que ainda não há decisão sobre a realização de uma transação, nem sobre seu formato ou condições.
A confirmação dá novo peso a uma discussão que vinha circulando no mercado desde que o Globo noticiou que a Cosan havia aberto conversas envolvendo a Rumo. A lista inicial citada pelo jornal incluía Ultra, Grupo México, Inpasa, Bunge, Opportunity, GIC, Votorantim, Itaúsa e Suzano/Feffer como potenciais interessados. Segundo relato posterior, o Ultra teria deixado o processo, mas ainda haveria oito concorrentes — sem que a nova composição da lista tenha sido detalhada.
O desenho societário da Rumo ajuda a explicar o interesse pelo ativo — e também a complexidade de qualquer operação. A Cosan detém diretamente 20,33% do capital da companhia, enquanto Júlia Arduini, presidente do conselho, possui 3,82%. As duas participações estão vinculadas por acordo de acionistas, o que sustenta o bloco de controle. O free float é de 75,68%, mostrando uma base acionária pulverizada e elevada liquidez em Bolsa.
Esse arranjo significa que uma eventual transação pode assumir formatos bastante diferentes. A Cosan poderia vender parte de suas ações para levantar recursos e ainda preservar influência sobre a Rumo, desde que o acordo de controle e a governança fossem mantidos. Alternativamente, uma venda mais profunda envolvendo o bloco de controle exigiria negociações mais complexas, inclusive com potenciais impactos sobre prêmio de controle, acordo de acionistas e direitos de governança.
A Cosan vem sendo pressionada pelo mercado a simplificar sua estrutura, reduzir alavancagem e destravar valor em ativos relevantes. A Rumo é uma das peças mais valiosas do grupo, com posição estratégica no transporte ferroviário de commodities agrícolas e conexão direta com os principais corredores de exportação do país.
Para a Rumo, uma eventual entrada de novo acionista relevante poderia alterar a dinâmica societária em um momento de expansão e investimentos em capacidade. A companhia segue sendo um ativo raro de infraestrutura logística no Brasil, com escala, barreiras de entrada e exposição ao agronegócio.
