Hapvida amplia centro de pesquisa e mira terapias de alta complexidade

<p>Com 13 estudos ativos, nova unidade amplia a aposta da Hapvida em transformar sua escala de pacientes em plataforma de pesquisa clínica.</p>

Crédito: Ivan Ismael da Silva (divulgação)

By Brazil Stock Guide — A Hapvida (HAPV3) inaugurou um novo centro de pesquisa clínica em São Paulo, em um movimento que tenta transformar uma de suas maiores vantagens competitivas — a escala de pacientes e a rede integrada de atendimento — em uma plataforma para estudos clínicos e terapias de alta complexidade.

O novo Centro de Pesquisa Clínica, localizado no prédio do Qualivida Higienópolis, na região central da capital paulista, tem 444 metros quadrados e é oito vezes maior que a estrutura anterior. A unidade reúne 25 profissionais, entre médicos, enfermeiros, farmacêuticos, coordenadores de pesquisa e pesquisadores médicos.

A Hapvida informou que mantém atualmente 13 estudos em andamento no centro. A companhia pretende incluir 1.400 pacientes em novos estudos em 2026. Até agora, mais de 1.000 já foram selecionados, com taxa de retenção de 95,8%.

O dado ajuda a dar concretude à estratégia. Para patrocinadores de estudos clínicos, a capacidade de recrutar pacientes com velocidade – e mantê-los ao longo dos protocolos – é um dos principais gargalos da pesquisa médica. A Hapvida tenta se posicionar justamente nessa interseção entre escala assistencial, dados clínicos e acesso a uma base ampla de beneficiários.

O foco do portfólio também indica uma aposta em áreas de maior complexidade. Em material institucional, a companhia aponta que oncologia responde por 50% do direcionamento dos estudos, seguida por cardiometabólico e imunobiológicos, com 20% cada. Diabetes representa 7% e outras áreas, 3%.

Novo Centro de Pesquisa Clínica da Hapvida, em São Paulo: unidade ampliada busca acelerar estudos clínicos e aproximar a operadora da indústria farmacêutica. Crédito: Ivan Ismael da Silva/Divulgação

A companhia também cita frentes como doenças neuromusculares, metabólicas, hematologia e oncologia, incluindo condições como Huntington, AME, ELA, doença de Gaucher, síndrome de Hunter, hemofilia, neuroblastoma e tumores sólidos. São áreas em que a indústria farmacêutica costuma enfrentar dificuldade para identificar pacientes, recrutar participantes e produzir evidência clínica e de mundo real.

Para acelerar o recrutamento, a Hapvida diz usar uma plataforma própria de inteligência artificial (IA) que reduziu em 80% o tempo necessário para identificar pacientes elegíveis. O centro também conta com uma estrutura de recrutamento dividida em três camadas, segundo a empresa.

Sardenberg, da Hapvida: aposta em pesquisa clínica mira inovação.

A iniciativa reforça uma frente ainda pouco explorada pelas grandes operadoras de saúde no Brasil: o uso de sua base assistencial para conduzir estudos clínicos ativos, projetos de Real World Evidence, validação científica e recrutamento de pacientes para a indústria farmacêutica.

Em material apresentado pela companhia, a Hapvida posiciona o centro como parte de um ecossistema que inclui farmacêuticas como AstraZeneca, Roche, Johnson & Johnson, Sanofi, Lilly, Bayer, EMS, Aché e Eurofarma; empresas de tecnologia, dados e CROs como IQVIA, PSI, Precision Data, Siemens Healthineers, Promptly, Azidus, ODC Life Sciences, Traverse Health e Intrials; além de instituições de referência clínica como os hospitais Einstein e HCor.

A lista dá peso à tese estratégica por trás do projeto. Para a indústria farmacêutica, uma operadora integrada pode oferecer algo difícil de replicar: uma base ampla de pacientes, capilaridade assistencial e capacidade de acompanhamento ao longo da jornada de cuidado.

“Esse crescimento nos posiciona de forma ímpar diante da indústria farmacêutica e reforça nosso compromisso com padrões internacionais de excelência científica”, disse o médico Rodrigo Sardenberg, diretor de Pesquisa Clínica da Hapvida e cirurgião torácico, em nota. “Queremos usar a pesquisa e seus resultados para democratizar a inovação, com impacto direto na vida de milhares de brasileiros.”

A companhia também busca elevar sua produção científica. A meta para 2026 é publicar 20 artigos em revistas indexadas no PubMed. Até o fim de maio, 13 artigos já haviam sido publicados. Em 2025, foram 21 publicações, acima da meta inicial de 15.

Base difícil de replicar

A expansão ocorre em um momento em que operadores de saúde no Brasil, como a Hapvida, tentam reequilibrar margens, controlar custos médicos e melhorar a percepção de qualidade assistencial após anos de pressão sobre o setor. A pesquisa clínica oferece à Hapvida uma narrativa complementar à de escala e verticalização: a de uma plataforma capaz de gerar dados, atrair parceiros da indústria e aproximar pacientes de terapias inovadoras.

Com quase 16 milhões de beneficiários de saúde e odontologia, 84 hospitais, 75 prontos atendimentos, 367 clínicas e 313 centros de diagnóstico, a companhia tem uma base difícil de replicar. Desde que consiga transformar sua escala de pacientes em pesquisa de qualidade, dados confiáveis e relações comerciais relevantes com a indústria, a Hapvida tenta, com o centro ampliado, capturar valor além do modelo tradicional de planos de saúde.


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