By Brazil Stock Guide – A Hapvida (B3: HAPV3), maior operadora de planos de saúde do Brasil, reverteu para prejuízo de R$ 29,1 milhões no quarto trimestre de 2025, ante lucro de R$ 167,8 milhões um ano antes, reforçando a dificuldade da companhia em traduzir crescimento de receita em recuperação de rentabilidade.
A receita líquida avançou 5,9% na comparação anual, para R$ 7,91 bilhões, mas a sinistralidade caixa subiu para 75,5%, alta de 4,5 pontos percentuais, enquanto a margem Ebitda ajustada caiu de 14,2% para 9,0%.
O desempenho reflete uma combinação de maior utilização dos serviços, custos assistenciais elevados e impacto da expansão da rede própria. As contas médicas caixa somaram R$ 5,97 bilhões no trimestre, crescimento de 12,6% em relação ao 4T24, enquanto o custo total de serviços prestados avançou 26%, para R$ 6,23 bilhões. A empresa indicou que o ramp-up de novos ativos e uma sazonalidade menos favorável pressionaram os custos no período.
Do lado comercial, houve algum suporte via preços, mas insuficiente para compensar a pressão operacional. O ticket médio consolidado cresceu 6,6% em 12 meses, para R$ 301,4, impulsionado por reajustes, mas a base de beneficiários de saúde recuou em 140 mil vidas no trimestre, para 8,73 milhões. As perdas foram mais concentradas nas regiões Sudeste e Sul, em um ambiente competitivo mais intenso.
Mesmo os números ajustados indicam fragilidade. O Ebitda ajustado foi de R$ 713,8 milhões, mas ficaria em R$ 555,9 milhões sem efeitos não recorrentes. No lucro ajustado, o número reportado de R$ 180,6 milhões cairia para R$ 76,4 milhões ao excluir eventos extraordinários, sugerindo que a melhora operacional ainda não se sustenta de forma consistente.
A pressão também aparece no caixa. A companhia consumiu R$ 1,63 bilhão no trimestre, encerrando o período com R$ 8,18 bilhões, ante R$ 9,81 bilhões no trimestre anterior. O fluxo de caixa livre foi negativo em R$ 232,9 milhões, impactado por investimentos, contingências e serviço da dívida, que somou R$ 1,20 bilhão. A alavancagem líquida subiu para 1,32 vez Ebitda, de 1,00 vez um ano antes.
Apesar disso, a Hapvida destacou avanços operacionais, como redução relevante no volume de NIPs, melhora em indicadores assistenciais e expansão da rede própria para 832 unidades, com adição de leitos e unidades ambulatoriais ao longo de 2025. A estratégia segue centrada na verticalização e no ganho de eficiência, ainda que os benefícios não tenham se refletido plenamente nos resultados.
Para 2026, o discurso da companhia aponta continuidade dos ajustes operacionais e foco em execução, em um cenário ainda marcado por pressão de custos e competição mais intensa. A trajetória de recuperação, por ora, parece gradual — e dependente de uma melhora mais clara na dinâmica de sinistralidade.
