By Brazil Stock Guide – A JBS (JBSS3; JBSAY), maior processadora global de proteína, reportou lucro líquido de US$ 415 milhões no 4T25, praticamente estável na comparação anual, apesar da receita ter avançado 15%, para US$ 23,1 bilhões. O resultado reflete um trimestre de crescimento relevante em volume e preço, mas com menor conversão em rentabilidade, em um ambiente global de custos mais elevados.
No acumulado de 2025, a companhia entregou lucro líquido de US$ 2,0 bilhões, alta de 15%, com receita recorde de US$ 86,2 bilhões. O lucro por ação atingiu US$ 1,89 e o retorno sobre o patrimônio superou 25%, enquanto o EBITDA anual somou US$ 6,8 bilhões, com margem de 7,9%.
“Encerrar 2025 com um crescimento de 15% na receita — o maior da nossa história — comprova a força e a resiliência da nossa plataforma diversificada, tanto em proteínas quanto em geografias”, afirmou Gilberto Tomazoni, CEO Global da JBS. “Ao mesmo tempo, o avanço de 15% no lucro reforça a consistência da nossa execução, sustentando margens robustas e a nossa capacidade de continuar gerando crescimento e valor para os acionistas.”
O desempenho sintetiza um momento de transição. A companhia mantém expansão global consistente, mas enfrenta pressões operacionais concentradas em segmentos específicos, sobretudo no ciclo pecuário norte-americano, marcado por escassez de oferta e custos elevados.
A JBS opera em mais de 20 países e atende cerca de 180 mercados, com portfólio que inclui bovinos, frango, suínos e alimentos preparados. Marcas como Friboi, Seara, Swift e Pilgrim’s Pride sustentam sua presença global e a estratégia de diversificação.
A receita cresceu em praticamente todas as unidades no trimestre. Ainda assim, o EBITDA ajustado recuou 7%, para US$ 1,7 bilhão, com margem de 7,4%, pressionada pelo aumento de custos, especialmente em bovinos.
Bovinos sob pressão
A divisão JBS Beef North America concentrou a maior deterioração operacional. A receita atingiu US$ 7,7 bilhões no trimestre, alta de quase 20%, mas o EBITDA caiu para US$ 56 milhões, com margem de apenas 0,7%. No acumulado de 2025, a unidade registrou EBITDA negativo de US$ 319 milhões, revertendo lucro no ano anterior.
O movimento reflete um ciclo pecuário adverso nos Estados Unidos. O rebanho está no menor nível em mais de 70 anos, enquanto restrições à importação de gado do México limitaram ainda mais a oferta ao longo de 2025. Ao mesmo tempo, o custo do boi subiu de forma relevante, superando a capacidade de repasse para os preços da carne.
Na prática, isso comprime o spread da indústria e reduz a geração de lucro, mesmo com demanda resiliente. A divisão segue relevante em receita, mas perdeu contribuição para o resultado consolidado.
Além disso, a operação enfrenta desafios adicionais no curto prazo. A empresa lida com uma greve em sua unidade no Colorado, nos Estados Unidos, o que adiciona pressão operacional e pode afetar temporariamente volumes e eficiência.
Aves e preparados sustentam
Em contraste, as operações de aves e alimentos preparados seguem como pilares de estabilidade. A Pilgrim’s Pride reportou receita de US$ 4,5 bilhões no trimestre e EBITDA de US$ 557 milhões, com margem de 12,3%. No ano, o EBITDA somou US$ 2,8 bilhões, com margem de 15,2%.
A estratégia de valor agregado ganha relevância. Produtos de marca e alimentos preparados avançam mais rápido que o portfólio in natura, contribuindo para margens mais resilientes.
A Seara também apresentou desempenho consistente. A divisão registrou receita de US$ 2,5 bilhões no trimestre e EBITDA de US$ 413 milhões, com margem de 16,6%. No ano, manteve margens próximas de 17%, apoiada em exportações e inovação.
Mesmo com restrições sanitárias pontuais em mercados como China e Europa, a unidade conseguiu expandir volumes e sustentar rentabilidade, reforçando sua relevância no portfólio.
Brasil cresce com escala
A operação JBS Brasil registrou receita de US$ 4,4 bilhões no trimestre, alta de 26%, e US$ 15,3 bilhões no ano, avanço de mais de 20%.
O EBITDA trimestral foi de US$ 288 milhões, com margem de 6,6%, estável na comparação anual. Ainda assim, a margem anual recuou para 6,2%, refletindo pressão de custos.
O crescimento foi impulsionado por exportações e maior volume de abates, que atingiu níveis recordes. A unidade também se beneficia de forte posicionamento de marca e execução comercial no mercado doméstico.
Austrália e suínos ganham espaço
A JBS Austrália foi um dos destaques positivos. A receita atingiu US$ 2,3 bilhões no trimestre, com crescimento de quase 30%, enquanto o EBITDA avançou mais de 50%, para US$ 217 milhões, com expansão de margem.
O desempenho reflete preços mais altos, ganhos de produtividade e eficiência operacional, além de melhor mix de produtos.
A divisão de suínos nos Estados Unidos também apresentou estabilidade. A receita foi de US$ 2,1 bilhões no trimestre, com EBITDA de US$ 180 milhões e margem de 8,4%. No ano, o desempenho permaneceu consistente.
Caixa e disciplina
A geração de caixa livre somou US$ 990 milhões no trimestre e US$ 400 milhões no ano, indicando maior consumo de capital de giro frente ao ano anterior.
Para Guilherme Cavalcanti, CFO Global da JBS, os resultados comprovam disciplina financeira. “Nossa estratégia permitiu manter nossa alavancagem entre 2x e 3x, e trabalhar com um perfil de dívida extremamente alongado. Isso nos traz segurança financeira e liquidez necessárias para atravessar a volatilidade dos ciclos e continuar entregando retornos sólidos aos nossos investidores.”
A alavancagem encerrou o período em 2,4x EBITDA, acima dos 1,9x do ano anterior, mas ainda dentro da meta. O perfil da dívida permanece alongado e com custo competitivo.
