By Brazil Stock Guide – Sob pressão de investidores, o CEO da Hapvida (HAPV3), Jorge Pinheiro, anunciou que deixará o comando da operadora após 27 anos para assumir uma cadeira no Conselho de Administração. Em carta ao mercado, no entanto, o executivo evitou responder de forma direta às exigências da Squadra Investimentos — que cobra venda de ativos, revisão da governança e maior disciplina na alocação de capital — limitando-se a tratar desinvestimentos como uma possibilidade, sem detalhar medidas concretas ou prazos.
A carta da gestora, divulgada na semana passada, elevou o tom contra a companhia ao acusar a Hapvida de protagonizar “uma das maiores destruições de valor da história do mercado de capitais brasileiro”, após uma queda de cerca de 85% nas ações desde o IPO, em contraste com a alta de aproximadamente 120% do Ibovespa no mesmo período.
Na sua mensagem aos investidores, Jorge Pinheiro adota um tom cauteloso e evita anunciar mudanças estruturais imediatas. O executivo reconhece que os resultados recentes ficaram abaixo do potencial da companhia e afirma que a Hapvida atravessou “uma das fases mais exigentes” de sua história, marcada por integrações complexas e decisões operacionais difíceis.
O CEO tenta enquadrar o momento como uma transição de ciclo. Segundo ele, após anos de expansão e consolidação — com destaque para a integração da NotreDame Intermédica — a companhia entraria agora em uma nova etapa, com foco maior em eficiência operacional, rentabilidade e geração de caixa.
Nesse contexto, Jorge Pinheiro afirma que a desalavancagem será uma das prioridades da nova fase e indica que a companhia poderá avaliar a venda de ativos considerados menos estratégicos. A referência, no entanto, permanece genérica, sem indicação de quais operações poderiam ser alienadas, nem qualquer cronograma para execução.
A companhia informou que Luccas Augusto Adib assumirá como novo CEO, em uma tentativa de renovar a liderança executiva e acelerar a agenda de eficiência em um momento de maior cobrança por resultados.
A carta também reforça o papel de tecnologia e dados como alavancas de produtividade, destacando a intenção de avançar na digitalização de processos e na padronização de práticas médicas. A mensagem busca reposicionar a narrativa da companhia em torno de execução, após um período marcado por crescimento via aquisições.
Ao migrar para o conselho, Jorge afirma que pretende manter proximidade com a operação, apoiando a nova gestão e contribuindo para a definição estratégica. O movimento preserva a influência da família controladora, fundada por Candido Pinheiro, ao mesmo tempo em que tenta sinalizar ao mercado uma renovação na liderança executiva.
O episódio, no entanto, está longe de encerrado. A Squadra, que detém 6,98% do capital votante, levou a disputa para o campo da governança ao solicitar voto múltiplo e indicar nomes independentes para o conselho, além de defender abertamente a venda de ativos e uma revisão profunda da estratégia. Com a assembleia marcada para o fim de abril, o caso se transforma em um teste direto de até onde acionistas minoritários conseguem influenciar o rumo de uma das maiores operadoras de saúde do país.
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