Loxam compra Mills em operação que pode chegar a R$3,75 bilhões

<p>Francesa pagará R$16 por ação por 50,3% da companhia, com prêmio de 22%, e terá de lançar OPA para os minoritários após o fechamento.</p>

By Brazil Stock Guide – A francesa Loxam SAS fechou acordo para comprar o controle da Mills Locação, Serviços e Logística S.A. (MILS3) em uma operação que pode chegar a cerca de R$3,75 bilhões, considerando a oferta pública de aquisição obrigatória aos minoritários após o fechamento. O contrato prevê a aquisição inicial de 50,3% do capital social da Mills por cerca de R$1,9 bilhão, a R$16,00 por ação, com prêmio de 22% sobre o fechamento de 22 de maio de 2026 e pagamento integral à vista.

O valor do bloco de controle será corrigido a partir do 31º dia contado da data do fato relevante até o fechamento efetivo da operação por 70% do CDI. Depois da conclusão da venda de controle, a Loxam terá de lançar uma OPA para as demais ações da Mills pelo mesmo preço pago aos controladores, ajustado pela Selic entre o fechamento da alienação de controle e a liquidação da oferta.

Controle global

A operação coloca a Mills sob o guarda-chuva da maior empresa de locação de equipamentos da Europa. Fundada em 1967, a Loxam registrou €2,5 bilhões em receita líquida em 2025, tem cerca de 11.600 funcionários e opera uma rede de aproximadamente 1.130 filiais em mais de 28 países, distribuídos por quatro continentes. No Brasil, a companhia atua desde 2015 por meio da Loxam do Brasil e da A Geradora.

Para a Mills, o acordo encerra um ciclo de controle familiar e abre uma nova fase de consolidação em um setor diretamente exposto a construção civil, infraestrutura, indústria, energia, eventos e serviços. A companhia disse que a família fundadora buscava perpetuar o legado da empresa aproximando-a de players globais relevantes, e que encontrou na Loxam alinhamento de valores e interesse em crescer no Brasil.

Plataforma brasileira

A Mills não é uma aquisição pequena de portfólio. Fundada em 1952, a companhia passou mais de sete décadas migrando de um negócio tradicional de andaimes, formas e escoramentos para uma plataforma mais ampla de locação de equipamentos. O IPO em 2010 marcou a entrada da empresa na bolsa. Nos últimos anos, depois de um processo de turnaround, a Mills ampliou sua presença em plataformas elevatórias, entrou em linha amarela, avançou em intralogística e adicionou a Next Rental ao portfólio.

Essa transformação levou a Mills a se apresentar hoje como a maior locadora do Brasil, com mais de 10 mil clientes, cerca de 65 filiais, mais de 2 mil colaboradores e a maior frota de equipamentos elétricos da América Latina. Seu portfólio vai de plataformas aéreas, compressores, geradores e torres de iluminação a escavadeiras, pás carregadeiras, rolos compactadores, empilhadeiras, transpaleteiras, formas e escoramentos.

A empresa também está menos dependente de um único ciclo de construção do que no passado. Segundo a Mills, 55% da receita de locação vem hoje de contratos de longo prazo. A composição da receita de 2025 mostra uma plataforma mais diversificada: 46% em plataformas elevatórias, 24% em linha amarela e caminhões adaptados, 16% em formas e escoramentos, 11% em empilhadeiras e transpaleteiras, além de outros produtos.

Os números mais recentes ajudam a explicar o apetite da Loxam. No primeiro trimestre de 2026, a Mills reportou R$235,1 milhões em EBITDA ajustado, alta de 13,8% sobre o ano anterior, com margem EBITDA ajustada de 50,3% e ROIC de 20,5%. A alavancagem ficou em 1,1 vez dívida líquida/EBITDA, com custo médio da dívida de CDI + 1,08% e cerca de 95% da dívida com vencimento no longo prazo — o perfil de uma plataforma a ser escalada, não de um ativo em dificuldade a ser consertado.

OPA obrigatória

A conclusão da compra ainda depende de condições usuais para esse tipo de operação, incluindo aprovação do Cade, o órgão antitruste brasileiro. Uma vez implementada a transação, a Loxam será obrigada a lançar uma oferta pública de aquisição para comprar as demais ações da Mills pelo mesmo preço pago aos controladores, ajustado pela Selic entre o fechamento da alienação de controle e a liquidação da oferta.

A estrutura busca assegurar tratamento equitativo aos minoritários, nos termos da Lei das S.A., da regulação da CVM, do Novo Mercado, do estatuto da Mills e do próprio contrato. A transação teve assessoria de Lazard, Trindade Sociedade de Advogados e Lefosse Advogados para a Mills e os vendedores. A Loxam foi assessorada por Euro Latina Finance, Spinelli Advogados e Demarest Advogados.


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