By Brazil Stock Guide – As companhias aéreas brasileiras intensificaram articulações em Brasília para tentar evitar um novo aumento do querosene de aviação (QAV), em um momento em que cresce o risco de repasse para as passagens.
A pressão ganhou força após a ANAC alertar para a possibilidade de alta tarifária caso o próximo reajuste do combustível acompanhe a escalada do diesel em meio à crise no Oriente Médio, informou a Agência Infra. Segundo o diretor-geral da agência, Tiago Faierstein, já há coordenação entre a Casa Civil e o Ministério de Portos e Aeroportos para discutir medidas que limitem a pressão sobre o insumo.
O movimento das empresas ocorre depois de a Petrobras elevar em 9,4% o preço médio de venda do QAV às distribuidoras a partir de 1º de março, equivalente a uma alta de R$ 0,31 por litro. Como os reajustes do combustível são feitos no início de cada mês, o setor teme que a valorização recente do petróleo volte a ser repassada no próximo ciclo. Desde o fim de fevereiro, o petróleo já subiu mais de 40%.
A Petrobras já havia atribuído a alta do diesel ao impacto da guerra no Oriente Médio, e o governo respondeu ao caso com medidas de alívio tributário e subsídios voltados ao diesel — benefício que as aéreas agora querem ver estendido ao QAV.
O combustível responde por cerca de 30% a 40% dos custos operacionais das aéreas, tornando-se o principal vetor de pressão sobre margens em um setor que ainda atravessa um processo de desalavancagem no pós-pandemia.
Entre as companhias, a Gol tende a ser a mais afetada por uma eventual nova alta do querosene de aviação, dada sua maior alavancagem financeira e forte dependência do mercado doméstico, onde o repasse de custos encontra maior resistência, segundo fontes do setor aéreo.
A Azul também enfrenta pressão relevante, mas conta com alguma proteção via rotas regionais e maior poder de precificação em mercados menos concorridos. Já a Latam aparece como a mais resiliente, beneficiada por sua diversificação geográfica, maior exposição a receitas em dólar e operação internacional e de carga, que ajudam a diluir o impacto do combustível.
Na prática, a ofensiva das companhias busca antecipar uma solução antes que um novo choque de custos alcance o consumidor, justamente quando o governo tenta sustentar o discurso de ampliar o acesso ao transporte aéreo. Por ora, segundo a ANAC, ainda não há evidência de aumento de passagens ligado ao QAV, mas o setor já se posiciona para o próximo ciclo de reajuste.
O histórico recente reforça a cautela: durante a pandemia, o colapso de demanda combinado ao alto custo de combustível pressionou severamente o setor, levando as companhias a processos de reestruturação financeira para renegociar passivos a fim de preservar liquidez.
